Conhecemos a lei para os deuses.
Ir para o sul atrás da Pedra Cardeal do Leste pode
parecer legal, mas não é. Primeiro por que há milhões de lugares no sul onde a
pedra poderia estar, e segundo, aquela parecia a pior equipe para viajar ---- O aeroporto está muito longe? ---- perguntei.
---- Não, falta só 5km. ---- respondeu Duda.
Enquanto andávamos eu fui para o lado de Bocs e começamos a conversar sobre o que já tínhamos enfrentado nessa vida de semideuses, eram relatos bem interessantes os de Bocs enquanto eu não tinha muito o que contar. Enquanto isso Duda andava na frente sozinha e JP atrás de mim e de Bocs. Quando finalmente chegamos ao aeroporto, havia um problema:
---- Para onde vamos? – Perguntou Bocs.
---- Poderíamos ir a alguma cidade importante do sul. – Respondi.
---- Talvez poderíamos ir para Porto Alegre. – Disse Duda.
---- Ok, afinal Nero nos deu bastante dinheiro. - Disse Bocs.
----Fazer programas de computador realmente deve dar muito dinheiro. – Disse eu ironicamente, e todos riram bastante menos JP, pois ele quase parecia ser surdo/mudo. Então pegamos o avião e estávamos todos lado a lado, eu e Duda estávamos nas poltronas da direita e Bocs e JP estavam nas poltronas do meio. Eu e Duda discutíamos de onde estaria a Pedra do Leste:
---- Ela provavelmente deve estar em algum lugar que tivesse relação com o Olimpo. -- disse Duda.
----Quem sabe nós possamos começar pelos pontos turísticos?
----É uma boa idéia.
----Eu quero descobrir o que esses nossos presentes de Nero fazem. -- argumentou Duda. Do outro lado JP e Bocs estavam calados, eu já não agüentava mais isso, nós éramos um grupo, devíamos trabalhar juntos e não ficarmos de mal um com o outro. De repente aconteceu uma pequena turbulência, graças aos deuses não havia acontecido nada era só algumas nuvens entrando em nosso caminho, eu não sabia se já estávamos chegando, mas tinha a impressão de que iria demorar mais algumas horas.
Eu nunca havia voado em avião na minha vida, mas eu não fiquei preocupado até porque éramos muito bem tratados pelas aeromoças, tudo bastante convidativo, estava tudo perfeito até então. Eu estava admirado com a paisagem que eu conseguira ver pela janela ao meu lado, conseguia ver até algumas aves passando por nós, estava impressionado com tudo aquilo. Do meu lado, Duda tentava decifrar o relógio que veio da mochila que Nero nos deu, ela o olhava atentamente, então eu percebi que na frente de JP e Bocs tinha um homem de cabelos grisalhos loiros, usava um smoking bem elegante, e havia um olhar maléfico também, que de minuto em minuto ele olhava para mim. Achei aquilo estranho, então pensei que ele provavelmente fosse um inimigo. Mas não me importei com isso, por enquanto, tentei dormir um pouco para me aliviar e esquecer a minha responsabilidade e quando dormi sonhei com um lugar em que era sustentado por colunas gregas, o piso era de mármore, com paredes rosas, o lugar era decorado com poucas plantas e no fundo havia uma pessoa, eu não sabia quem era, pois seus cabelos tampavam o rosto, mas em suas mãos eu vi a Pedra do Leste a qual eu estava indo procurar, então meu sonho se desfez e eu acordei.
Tudo parecia estar correndo tudo bem, então perguntei a Duda se estávamos chegando:
---- Faltam só 10 minutos para chegarmos. – ela me respondeu.
Do outro lado JP estava
acordado, mas Bocs estava dormindo e pelo jeito estava em um sono bem profundo,
ele estava com um sorriso estampado no rosto, devia estar sonhando algo maravilhoso.
Quando finalmente chegamos a
Porto Alegre pegamos nossas malas e descemos do avião, estávamos todos prontos
para mais um dia de aventuras, eram mais ou menos 1h da tarde. Saímos do
aeroporto e pegamos um táxi, e todos concordaram em ir para uma lanchonete nos
alimentarmos, chegamos a uma lanchonete Bob’s, eu pedi batatas fritas, x-salada
e coca-cola, Duda pediu um x-burger, batatas fritas e um refrigerante Sprit, JP
pediu um x-tudo e um guaraná antártica e Bocs pediu um x-bacon e coca-cola. Depois
que comemos pagamos e fomos embora, nós pegamos um táxi e deixei Bocs Duda e JP
pensando onde estaria a Pedra do Leste enquanto eu conversava com o motorista
para nos levar a um lugar turístico bem bacana, eu pensei que estaria no lugar
que eu vi em meu sonho, mas não via aquela espécie de templo em lugar nenhum.
Então o motorista nos deixou em lugar bem bonito, e disse.
----Aqui é o famoso parque
Moinho dos ventos de nossa bela cidade.
Era um lugar realmente
bonito, não parecia que iríamos achar a pedra em um lugar como aquele, havia um
lago de águas bem cristalinas, e é claro, um grande moinho de vento com um
estilo já meio antigo, não havia muitas pessoas naquele lugar, eu consegui
estranhar, até porque era um lugar bem interessante. Então nós nos separamos
cada um foi para um lado para procurar a possível Pedra do Leste.
Eu não sabia onde aquela
pedra poderia estar, mas procurei e não achei nada, estava anoitecendo, então
Bocs de repente apareceu do meu lado:
---- Hei, vamos fazer uma
pausa e conferir a bússola, estou exausto -- disse Bocs.
---- Ta certo, não vamos
nos esgotar tanto com algo que não temos certeza -- afirmei.
Quando nos reunimos novamente,
sentamos ali debaixo de uma grande árvore de frente para o lago, para nos
refrescarmos um pouco, até que chegou um homem, usando uma roupa de verão como
se fosse um gringo, então percebi que ele se parecia bastante com a pessoa que
eu havia visto no avião. Então ele se sentou do meu lado em quanto meus amigos
estavam tirando um cochilo, e ficou ali sem dizer nada até que me deparei que
ele estava pondo sua mão dentro de minha mochila até que pegou a nossa bússola.
Por algum motivo eu não conseguia me mover nem ao menos falar algo, ele parecia
ter me jogado um feitiço, uma macumba não sei.
Mas então ele se levantou
silenciosamente deixando um bilhete no bolso de minha camisa e se foi, em
questão de segundos eu apaguei ali debaixo daquela árvore juntamente com meus
parceiros, exausto como se eu estivesse corrido uma maratona mais cedo.
----Hei Math! Acorde já são
6h da manhã. – disse Duda.
----Caramba, nós dormimos
muito, perdemos bastante tempo. –JP falou assustado e indignado com o que havia
acontecido.
----Ponte que partiu. –eu
falei me lembrando do que havia acontecido antes apagar.
Então comecei a falar a
eles sobre o homem misterioso que furtou nossa bússola, todos ficaram com
bastante raiva de min, não os culpei por falarem de mim até porque eu estava
consciente na hora do roubo, mas também não absorvi os comentários, pois eu
tinha a consciência limpa de que eu estava imóvel na hora, mas naquele mesmo
momento eu me lembrei de que ele colocara um bilhete em meu bolso direito da
camisa. Então quando eu o peguei, percebi do que se tratava.
----Pessoal, ele deixou
esse bilhete em meu bolso. –falei mostrando a eles.
----Fala sobre uma rua
chamada Pedro Boticário.—disse Duda apontando com o dedo.
----Tem um número, 506, e
um nome também, Lindolfo? –rindo Bocs perguntou.
----Vamos procurar ele
imediatamente, não temos tempo, e precisamos de respostas. –motivei a galera.
Quando saímos do parque,
pegamos o primeiro táxi que passou na rua, enquanto ele nos levava reparei que
aquele talvez seja a cidade mais linda que eu já havia visto por não ter saído
muito do Rio e Janeiro, então quando chegamos enfrente a uma casa muito velha,
o motorista falou.
----Bá, tche!...., vocês
tem certeza de que é realmente este endereço?
----Acho que é realmente
aqui. –falei meio com dúvida.
Mas então nós descemos e
batemos na porta principal, até que ouvimos um voz do outro lado da porta.
----Quem é, e o que vocês
querem?
----Estamos procurando um
senhor chamado de Lindolfo, eu acho.
----Está olhando para ele.
–disse o senhor rindo e tirando um sarro de nossa cara. - Mas na verdade meu
nome é Éolo somente.
----É claro! Ele é o deus
dos ventos, estou honrada em conhecer um herói antigo como o senhor. –disse
Duda aparentemente bastante feliz.
----Mas, creio que vocês
vieram atrás de respostas, estou certo? Vamos entrem então, por favor.
Quando entramos,
conseguimos ouvir minha música preferida; Don’t worry be happy do lendário Bob Marley, o lugar era meio
bagunçado, havia um violão jogado no chão, então sentamos ali em um sofá
bastante confortável.
----É o seguinte, mandaram
vocês para essa missão, mas não pensaram se vocês eram realmente capazes. Vocês
vão encontrar monstros, deuses e uma infinidade de outras coisas perigosas. Por
isso quero prepará-los para o que vão encontrar. O jogo é bem simples: passem
no meu teste e eu devolvo sua bússola. Não estou falando de um desafio corporal,
os piores desafios que vocês vão encontrar serão os desafios intelectuais.
----Vamos começar logo com
isso! -- Disse Bocs.
----Ok, primeiro vamos com
o desafio físico.
De repente, tudo começou a girar e perder a forma e a cor. A casa começou a desaparecer e a cor verde começou a inundar aquele furacão de imagens distorcidas. Tão rápido quanto começou, aquilo parou e nós estávamos novamente no Parque Moinhos dos Ventos. Éolo começou a dar as instruções:
----Vocês precisam mover o moinho em sentido horário. Boa sorte, eu vou ficar aqui sentado olhando vocês tentarem.
----Mas é só isso?--- Perguntou JP.
----Apenas isso, mas não pensem que é tão fácil... Boa sorte.
Enquanto Éolo se sentava na grama, nós íamos até o moinho de vento. A primeira ideia que Duda teve foi empurrar as hélices com a mão. Peguei o meu escudo e segurei firme para que JP pudesse subir nele e tentar empurrar a hélice no sentido horário. Depois de várias tentativas nós concluímos que as hélices não iam se mover dessa forma. De longe nós conseguimos ouvir as gargalhadas de Éolo.
Então Bocs amarrou uma das pontas de uma corda e sua flecha e a outra ponta na extremidade da hélice do moinho. Depois ele atirou na direção horária, mas a hélice não se moveu. Vendo que aquilo não fez efeito, agarrei a corda e comecei a puxar, os outros três vieram me ajudar, mas nada aconteceu.
Sentamos ali próximos ao moinho e começamos a pensar em como conseguiríamos realizar essa proeza.
De repente, tudo começou a girar e perder a forma e a cor. A casa começou a desaparecer e a cor verde começou a inundar aquele furacão de imagens distorcidas. Tão rápido quanto começou, aquilo parou e nós estávamos novamente no Parque Moinhos dos Ventos. Éolo começou a dar as instruções:
----Vocês precisam mover o moinho em sentido horário. Boa sorte, eu vou ficar aqui sentado olhando vocês tentarem.
----Mas é só isso?--- Perguntou JP.
----Apenas isso, mas não pensem que é tão fácil... Boa sorte.
Enquanto Éolo se sentava na grama, nós íamos até o moinho de vento. A primeira ideia que Duda teve foi empurrar as hélices com a mão. Peguei o meu escudo e segurei firme para que JP pudesse subir nele e tentar empurrar a hélice no sentido horário. Depois de várias tentativas nós concluímos que as hélices não iam se mover dessa forma. De longe nós conseguimos ouvir as gargalhadas de Éolo.
Então Bocs amarrou uma das pontas de uma corda e sua flecha e a outra ponta na extremidade da hélice do moinho. Depois ele atirou na direção horária, mas a hélice não se moveu. Vendo que aquilo não fez efeito, agarrei a corda e comecei a puxar, os outros três vieram me ajudar, mas nada aconteceu.
Sentamos ali próximos ao moinho e começamos a pensar em como conseguiríamos realizar essa proeza.
----Isso é impossível...
----Disse Duda desanimada.
----Mas é o único jeito de pegar
a bússola de volta. ---eu disse tentando anima-los.
Então JP começou a andar em
direção ao moinho assoviando, quando chegou próximo a hélice, ela se moveu com
a leve brisa de seu assobio. Então Éolo chegou aplaudindo JP, que estava muito
assustado. O deus do vento disse:
----Para mover um moinho de
vento é necessário haver vento! Tão simples...
----Mas como um moinho tão
grande pôde se mover com apenas um assovio? ----disse Duda.
----Eu estava sem paciência
e resolvi ajudar. Mas agora vamos a uma pizzaria jantar, estou morto de fome.
----Mas deuses não
morrem... espera ai, deuses morrem de fome? ---- Perguntei rindo de sua cara.
---- Muito bem engraçadinho,
vamos pular as pizzas, agora vocês tem de responder uma charada. -- Ele olhou
para o céu e começou a falar com um tom sonhador...
“Com quinhentos
começa,
No meio está
o cinco;
O primeiro
número, a primeira letra
Ocupam as
demais posições.
Junte tudo e
o nome do grande rei
Na sua frente
surgirá”
E então aquela sensação estranha começou de novo, as formas
das coisas ao nosso redor começaram a dissolverem em cinza, até que nós
aparecemos de volta àquela pequena casa.
Capítulo-3 Parte-2
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