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terça-feira, 28 de agosto de 2012

Capítulo-4 Parte-1



Conhecemos a Casa Rosada

Já não estávamos mais em Porto Alegre. Era uma avenida bem larga, com muitos prédios enormes. As pessoas ao nosso redor falavam espanhol. Mas aquilo era muito diferente. Eu não sentia meu corpo, nem meu próprio peso. Olhei para baixo e levei um susto: eu havia sumido! Eram apenas meus olhos flutuando em um país hispânico. Éolo apareceu do meu lado, ele estava inteiro, e disse:
----Agora que estamos aqui, quero lhes falar onde está a Pedra Cardeal do Leste. Ela está bem ali – disse ele apontando para um grande castelo rosa – e está protegida pelo exército de um país inteiro. Estamos na Argentina, – antes de ele terminar, eu já sabia que castelo era aquele. – e aquele é a sede do governo, a Casa Rosada. Agora, vamos voltar para o Brasil...
As cores dos prédios e da Casa Rosada foram se misturando e eu estava de volta aquela cozinha magnífica, junto com meus amigos que estavam tão confusos quanto eu. Duda perguntou:
----Se a pedra está lá, porque você não nos deixou lá para recuperá-la?
----Minha querida, deixe-me explicar a vocês como o mundo funciona. – Ao dizer isso, imagens começaram a flutuar pela mesa, eram imagens de deuses de várias crenças. - Todos esses deuses existem, pessoas de todo o mundo cultuam eles. Egípcios, gregos, romanos, asiáticos, maias, incas, astecas, havaianos... Enfim, existem milhares de nós. Mas vocês nunca vão encontrar eles juntos. Por que no mundo existem fronteiras. Nós deuses, temos leis, e a maior delas é respeitar o território dos outros. Se eu ousasse pisar na Argentina, seria destruído por uma força suprema que mantêm o mundo em paz. Essa “Força Suprema” vocês conhecem muito bem.
----O Deus de todas as coisas– disse Duda.
----Isso mesmo – respondeu Éolo. – Por isso a pessoa que trocou as Pedras de lugar levou-as para outros países. Ele sabe que os deuses não podem atravessar as fronteiras.
----Então como você nos levou até lá? – quis saber Bocs.
----Sou o deus dos ventos. Onde há vento, eu posso “dar uma espiadinha”. E vocês nem são deuses, vocês podem ir a qualquer lugar do mundo sem serem “repreendidos”. Quando eu soube que Aristeu havia escolhido vocês para realizar essa missão, decidi testá-los. Por isso resolvi roubar sua bússola. Vocês passaram no teste. Aqui está seu brinquedinho. – Ao dizer isso, nossa bússola apareceu sobre a mesa. – Durante o dia todos vocês testemunharam os poderes de um deus não-olimpiano. Imaginem os poderes dos deuses do Olimpio...
----Seria um pouco constrangedor conhecer os poderes de Afrodite – disse JP.
----Não se engane com as aparências, jovem semideus. – Falou Éolo. – Mas ela é realmente encantadora, se vocês querem saber.
Todos nós rimos para descontrair. Por fim, o deus dos ventos disse:
----Vocês podem dormir aqui hoje, mas levantem cedo, pois vou dar uma carona para vocês até onde eu posso ao amanhecer.
Assim nós fizemos. Duda pegou a bússola e guardou em sua mochila. Quando cheguei ao quarto, haviam duas beliches. Bocs logo disse.
----Não vou dormir na mesma beliche que o JP.
----Nem eu ia querer dormir na mesma que você. – Respondeu JP.
Eu e Duda reviramos os olhos. Era tão infantil aquela implicância... Mas eu acabei levando meu colchão para a cozinha para não ouvir as brigas dos dois, Duda tentou continuar ali entre eles dois. Eu tinha que dormir bem, amanhã o dia seria bem difícil, então a Duda chegou trazendo seu colchão.                                                                              
----O que aconteceu? –perguntei.                                                                                         
----Aqueles dois não param de discutir, posso dormir aqui?                                                       
----Claro! –então na mesma hora me virei e apaguei.                                                          
Quando os raios do sol finalmente alcançaram minha cara pela janela daquela cozinha, me coloquei de pé com uma energia de um touro, procurando algo para comer, como se eu havia adormecido por vários meses.                                                                         
----Levantou bem cedo em Math. –disse Èolo.                                                                 
----Não entendo porque eu levantei tão cedo, eu sempre acordo tarde.                          
----Melhor assim, venha tome seu café. –disse ele dando um sorriso.                  
----Vou escovar meus dentes primeiros, quando nós sairmos? –perguntei.                              
----Provavelmente umas 7:30.                                                  
Fui escovar meus dentes, então eu voltei para a cozinha para tomar um café bem forte que Éolo fizera. Quando eu me levantei, fui arrumar as minhas coisas, e enfim me juntei a Éolo q ue estava sentado no meio-fio daquela rua com um aparelho de som aparentemente bem potente, mas estava tocando uma música baixa, novamente do Bob Marley que eu conhecia bem.                                                                                                   
----Math, não que eu esteja certo de nada, mas tenha bastante cautela sobre esta missão, mas não só sobre si mais sobre toda sua equipe.                                                                  
----Eu sei que é minha primeira missão, e já me colocam como o líder do grupo, sei que é realmente muita responsabilidade, mas irei fazer o possível para trazer a vitória para todos nós, como nosso amigo Bob Marley dizia “A vida é para quem topa qualquer parada. Não para quem pára em qualquer topada.”                                               
----Muito bem lembrado Math, nós perdemos uma grande pessoa em nosso meio, mas ele nos serviu de exemplo, como ele era ousado, ele se defendia e tentava defender o seu próximo, e mesmo com tantas derrotas que aconteceu na vida dele, ele sempre se ergueu e continuou lutando para dias melhores.                                                                   
----Mas acho que agora vou ali acordar meu parceiros para irmos logo.                                 
Entrei e acordei Duda que havia dormido na cozinha juntamente comigo, então terminei de acordar Jp e Bocs por último. Saímos pouco antes do horário desejado de saída, o carro dele era por incrível que pareça uma Brasília antiga preta, mas bem conservada, logo depois chegamos no aeroporto, nos despedindo de Éolo agradecidos por tudo o que ele fizera por todos nós, quando desviamos os nossos olhos para analisar o aeroporto e viramos novamente notamos que ele já não estava mais ali. Compramos nossas passagens bem em cima da hora, pois o avião já estava na pista há um tempo, então corremos apressadamente para que não tivéssemos chegado tarde demais, mas com muita sorte conseguimos entrar tranquilamente. Desta vez eu fiquei em uma poltrona no meio sem nenhum de meus amigos por perto, mas Bocs, Duda, JP haviam  conseguido lugares um do lado do outro.                                                                                       
----Não se preocupe seu forever alone, chegaremos em algumas horas. –disse Duda dando gargalhadas ignorando todos que estavam olhando para ela.                                           
Então o avião finalmente decolou tranquilamente com o destino a Buenos Aires, meu pequeno medo já havia sumido por que eu deveria me acostumar, pois tinha a sensação de que eu viajaria em um avião mais vezes, mas então me acomodei e tentei relaxar.                                                                                                                                   
----Muito prazer, me chamo Ângela. –disse uma garota que estava sentada no meu lado direito, ela tinha um rosto bem bonito, ela usava uma calça jeans, sapatilha e uma blusa regata acompanhada por um colete jeans.                                                               
----Me chamo Matheus, mas todos me chamam de Math.                                                      
----Lindo nome, assim como você. –disse ela mordendo os lábios.                                               
----Posso dizer o mesmo.                                                                                                      
----Você deve ter 16 anos? –perguntou ela.                                                                         
----Tenho 15, e você também tem 15. –disse a ela como se fosse um detetive bem experiente.                                                                                                           
----Meus parabéns, você acertou.                                                                                               
Então começamos com uma conversa bem agradável, eu sabia que ela estava interessada em min por causa de suas várias indiretas, mas eu tentava me conter, porque achava que eu um dia reencontraria minha preciosa Julia, enquanto estava tendo esses pensamentos, Ângela pegou minha mão direita sem eu perceber enquanto pensava e quando eu me dei conta do que estava acontecendo, Ângela me deu um beijo no canto de minha boca. Mas eu havia me esquecido de quanto o amor era bom, então por um momento não hesitei em me virar e dando um tipo de meus beijos em sua boca.                            
----Você é cheio de surpresas em? –disse ela puxando minha camisa em direção a ela para beija-la novamente.                                                                                                          
Então quando nossos lábios se tocaram, tive a sensação  de que Julia ainda estava em algum lugar me esperando, então consegui me conter desta vez.                               
----Vamos só sermos amigos, digamos que eu ainda tenho um donzela para resgatar.                                                                                                                                            
----Adoro garotos românticos e misteriosos, mas se você quer assim então seja eu sei se quiser te beijar de novo eu poderia, mas ela seria melhor do que eu?                             
----Sim..., não..,. Não quero me comprometer, perdendo uma grande amiga como você, mas essa donzela conseguiu conquistar meu coração.                                                              
----Eu entendo, sei como é isso, mas o meu príncipe nunca mais apareceu para me buscar, mas infelizmente o único homem que conheço que chega perto de ser um príncipe é você Math, mas não vou tira-la de seus pensamentos, eu conseguiria mas você a ama. –disse ela rindo para mim.                                                                                       
Concordei, mas então continuamos a conversar durante a viajem enquanto os meus amigos dormiam, eu sabia que estava realmente cansado, e percebi que Ângela também estava começando a tombar de sono, dando varias piscadas e bocejando, então coloquei a cabeça dela em meus ombros e minha cabeça sobre a dela, parecia que éramos um casal apaixonado a um bom tempo ao olhar das pessoas a nossa volta, então quando dormimos, tive um lindo sonho com Julia. Ela estava em um lugar bem bonito, com árvores, e um rio que passava atrás dela indo até chegar a uma grande lagoa, e ela falava.                                                                                                                                                      
----Math, eu sei que você se lembrou de min hoje, enquanto essa Ângela tentava te agarrar, mas ela parece ser uma boa companhia, mas por favor eu sei que você é fraco por garotas bonitas, mas você me Vera em breve, não fique ocioso demais, só termine essa missão o mais rápido que conseguir.                                                                                          
----Posso ser fraco por garotas bonitas, mas meu dia-dia é mais tranquilo até o momento em que minha cabeça me leva até você. Minha cabeça me trai, o coração aperta, a atenção esvanece o frio na barriga... Com tantos sintomas a saudade até parece doença, mas sei que a cura é a sua presença..., você me da esperança para continuar a lutar.                                            
----Tome cuidado durante a missão meu grande príncipe. –disse Julia acenando para min.


Capitulo-4 Parte-2

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Capítulo-3 Parte-2



----Lar, doce lar... – Éolo olhava para as paredes imundas da casa como se aquele fosse seu maior orgulho - eu pedirei umas pizzas, se quiserem. – Disse ele enquanto se sentava no sofá – vou ficar aqui até vocês decifrarem o código e me falarem o nome do rei.
Duda nos chamou para um cômodo ao lado da sala. Aquela parecia ser a pior cozinha do mundo. Sobre o fogão haviam enormes pedaços de pizza mofada, os armários pareciam muito com grandes pedaços de madeira podre e fedorenta, quanto ao piso... era difícil acreditar que um dia foi branco. Mas ao meio do cômodo havia uma mesa luxuosa de vidro cercada por quatro cadeiras impecáveis, estofadas com almofadas brancas e feitas de madeira.
----Vamos sentar – disse JP para quebrar o silêncio.
Assim nós fizemos. Quando todos sentamos Duda pegou um pedaço de papel e uma caneta de sua mochila e escreveu todo o poema. Ao terminar ela disse:
----Vocês tem alguma ideia?
O papel veio primeiro a mim. Peguei aquele poema, li atentamente cada linha umas 5 vezes. Mas quanto mais eu lia, menos sentido fazia. Passei o papel para JP, após algum tempo ele também desistiu. Com Bocs não foi diferente. Quando o papel voltou para Duda ela disse:
----Estou morrendo de fome, vocês não querem pizza? Ajuda a pensar...
Antes que ela pudesse terminar de falar, nós já estávamos saindo do cômodo para pedir as pizzas à Éolo.
----Vocês querem comer?
----Aham – disse Bocs.
----Vou pedir umas pizzas, se quiserem assistir televisão enquanto esperam... – de repente uma televisão de mais ou menos 72 polegadas apareceu no chão, junto com uma antena da Sky já instalada. JP ligou a TV, pegou um controle que apareceu atrás da TV, e foi passando os canais até achar algum interessante. Até que ele parou na Discovery Chanel, estava passando um documentário sobre as sete maravilhas do mundo antigo.
----Era iluminado pelo fogo de lenha ou carvão. Inaugurado em 270 a. C., o farol foi destruído por um terremoto no século XIV... – dizia a televisão quando Duda gritou:
----É isso!
----Isso oque? – disse Bocs com tom indediado.
----Descobri como decifrar o código!
----E como é? – Ele disse, dessa vez já não estava mais entediado.
----Bom, primeiro pensei em transformar os números em letras, tipo: em algarismos romanos 500 é "D". No meio está o cinco, que em algarismo romano é "V". O primeiro número é 1 que em algarismos romanos é "I", e a primeira letra é "A". Então eu tenho "D" "V" "I" "A". Reorganizando: DAVI. É isso mesmo? Rei Davi?
Todos estávamos com os queixos caídos, eu não entendi uma palavra que ela disse, mas Éolo veio até nós aplaudindo. Eu sabia que Duda era inteligente, mas aquilo era realmente impressionante.
----Agora vamos jantar, tenho muitas coisas legais para falar.
Todos seguimos em direção à cozinha em fila, liderados por Éolo. Eu podia sentir o poder daquele deus em minha pele. Quando ele estava longe, o lugar fedia, eu escutava os caminhões barulhentos do lado de fora, até mesmo as formigas e cupins que saiam das paredes me incomodavam. Mas quando Éolo se aproximava, os barulhos não eram apenas barulhos. Pareciam com música, tudo sincronizado, o cheiro de podridão das paredes e do chão era substituído por uma leve brisa. Como se estivéssemos em um apartamento bem alto e com a janela aberta. Até minha mente trabalhava e se concentrava melhor. Era esse o motivo de os deuses serem tão venerados? Eles faziam o mundo entrar em harmonia? Olhei para meus amigos, eles pareciam se fazer as mesmas perguntas.
Quando chegamos à cozinha, já não havia mais paredes sujas ou pedaços de pizzas podres. Tudo estava extremamente organizado, panelas de alumínio organizadas por ordem de tamanho no armário, o chão brilhava tanto que eu não podia nem olhar direito para ele, mas pude ver tapetes que pareciam ser caríssimos por todo o cômodo. Em cima da mesa havia um grande mapa da região sul do Brasil, e de outros países que o cerca.
----Uau! – Disse Bocs.
Éolo olhava para nós rindo, na verdade ele estava gargalhando. De repente tudo começou a desmanchar - eu já conhecia bem aquela sensação – as cores foram saindo de seus lugares e um redemoinho de figuras nos cercou. Levou uns dez segundos até tudo voltar em seu lugar.
Capitulo-4-Parte-1

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Capítulo-3 Parte-1


Conhecemos a lei para os deuses.
               Ir para o sul atrás da Pedra Cardeal do Leste pode parecer legal, mas não é. Primeiro por que há milhões de lugares no sul onde a pedra poderia estar, e segundo, aquela parecia a pior equipe para viajar em grupo. Bocs e JP não se falavam. Duda e eu conversávamos sobre o acampamento, ela estava lá há mais ou menos dois anos e Bocs chegou a Al de Baram mais ou menos uma semana depois que Duda. Saímos do Il Magnífico e os primeiros sinais do novo dia começavam a aparecer no céu. Estávamos andando de pé há um bom tempo afim de chegar logo ao aeroporto pois era o único jeito de irmos o mais rápido, porque o mundo estava em constante perigo a toda hora.  
               ---- O aeroporto está muito longe? ---- perguntei.                                                                                                                                                                                                     
               ---- Não, falta só 5km. ---- respondeu Duda.                                                                                                         
               Enquanto andávamos eu fui para o lado de Bocs e começamos a conversar sobre o que já tínhamos enfrentado nessa vida de semideuses, eram relatos bem interessantes os de Bocs enquanto eu não tinha muito o que contar. Enquanto isso Duda andava na frente sozinha e JP atrás de mim e de Bocs.      Quando finalmente chegamos ao aeroporto, havia um problema:
               ---- Para onde vamos? – Perguntou Bocs.
               ---- Poderíamos ir a alguma cidade importante do sul. – Respondi.
               ---- Talvez poderíamos ir para Porto Alegre. – Disse Duda.
               ---- Ok, afinal Nero nos deu bastante dinheiro. - Disse Bocs.
               ----Fazer programas de computador realmente deve dar muito dinheiro. – Disse eu ironicamente, e todos riram bastante menos JP, pois ele quase parecia ser surdo/mudo.     Então pegamos o avião e estávamos todos lado a lado, eu e Duda estávamos nas poltronas da direita e Bocs e JP estavam nas poltronas do meio. Eu e Duda discutíamos de onde estaria a Pedra do Leste:     
                    ---- Ela provavelmente deve estar em algum lugar que tivesse relação com o Olimpo. -- disse Duda. 
               ----Quem sabe nós possamos começar pelos pontos turísticos?
               ----É uma boa idéia.
               ----Eu quero descobrir o que esses nossos presentes de Nero fazem. -- argumentou Duda. Do outro lado JP e Bocs estavam calados, eu já não agüentava mais isso, nós éramos um grupo, devíamos trabalhar juntos e não ficarmos de mal um com o outro. De repente aconteceu uma pequena turbulência, graças aos deuses não havia acontecido nada era só algumas nuvens entrando em nosso caminho, eu não sabia se já estávamos chegando, mas tinha a impressão de que iria demorar mais algumas horas.
                Eu nunca havia voado em avião na minha vida, mas eu não fiquei preocupado até porque éramos muito bem tratados pelas aeromoças, tudo bastante convidativo, estava tudo perfeito até então. Eu estava admirado com a paisagem que eu conseguira ver pela janela ao meu lado, conseguia ver até algumas aves passando por nós, estava impressionado com tudo aquilo. Do meu lado, Duda tentava decifrar o relógio que veio da mochila que Nero nos deu, ela o olhava atentamente, então eu percebi que na frente de JP e Bocs tinha um homem de cabelos grisalhos loiros, usava um smoking bem elegante, e havia um olhar maléfico também, que de minuto em minuto ele olhava para mim. Achei aquilo estranho, então pensei que ele provavelmente fosse um inimigo. Mas não me importei com isso, por enquanto, tentei dormir um pouco para me aliviar e esquecer a minha responsabilidade e quando dormi sonhei com um lugar em que era sustentado por colunas gregas, o piso era de mármore, com paredes rosas,  o lugar era decorado com poucas plantas e no fundo havia uma pessoa, eu não sabia quem era, pois seus cabelos tampavam o rosto, mas em suas mãos eu vi a Pedra do Leste a qual eu estava indo procurar, então meu sonho se desfez e eu acordei.
                 Tudo parecia estar correndo tudo bem, então perguntei a Duda se estávamos chegando:                       
                 ---- Faltam só 10 minutos para chegarmos. – ela me respondeu. 
                 Do outro lado JP estava acordado, mas Bocs estava dormindo e pelo jeito estava em um sono bem profundo, ele estava com um sorriso estampado no rosto, devia estar sonhando algo maravilhoso. 
                 Quando finalmente chegamos a Porto Alegre pegamos nossas malas e descemos do avião, estávamos todos prontos para mais um dia de aventuras, eram mais ou menos 1h da tarde. Saímos do aeroporto e pegamos um táxi, e todos concordaram em ir para uma lanchonete nos alimentarmos, chegamos a uma lanchonete Bob’s, eu pedi batatas fritas, x-salada e coca-cola, Duda pediu um x-burger, batatas fritas e um refrigerante Sprit, JP pediu um x-tudo e um guaraná antártica e Bocs pediu um x-bacon e coca-cola. Depois que comemos pagamos e fomos embora, nós pegamos um táxi e deixei Bocs Duda e JP pensando onde estaria a Pedra do Leste enquanto eu conversava com o motorista para nos levar a um lugar turístico bem bacana, eu pensei que estaria no lugar que eu vi em meu sonho, mas não via aquela espécie de templo em lugar nenhum. Então o motorista nos deixou em lugar bem bonito, e disse.     
                ----Aqui é o famoso parque Moinho dos ventos de nossa bela cidade.
                Era um lugar realmente bonito, não parecia que iríamos achar a pedra em um lugar como aquele, havia um lago de águas bem cristalinas, e é claro, um grande moinho de vento com um estilo já meio antigo, não havia muitas pessoas naquele lugar, eu consegui estranhar, até porque era um lugar bem interessante. Então nós nos separamos cada um foi para um lado para procurar a possível Pedra do Leste. 
                Eu não sabia onde aquela pedra poderia estar, mas procurei e não achei nada, estava anoitecendo, então Bocs de repente apareceu do meu lado:
                ---- Hei, vamos fazer uma pausa e conferir a bússola, estou exausto -- disse Bocs.
                ---- Ta certo, não vamos nos esgotar tanto com algo que não temos certeza -- afirmei.
                Quando nos reunimos novamente, sentamos ali debaixo de uma grande árvore de frente para o lago, para nos refrescarmos um pouco, até que chegou um homem, usando uma roupa de verão como se fosse um gringo, então percebi que ele se parecia bastante com a pessoa que eu havia visto no avião. Então ele se sentou do meu lado em quanto meus amigos estavam tirando um cochilo, e ficou ali sem dizer nada até que me deparei que ele estava pondo sua mão dentro de minha mochila até que pegou a nossa bússola. Por algum motivo eu não conseguia me mover nem ao menos falar algo, ele parecia ter me jogado um feitiço, uma macumba não sei.
                Mas então ele se levantou silenciosamente deixando um bilhete no bolso de minha camisa e se foi, em questão de segundos eu apaguei ali debaixo daquela árvore juntamente com meus parceiros, exausto como se eu estivesse corrido uma maratona mais cedo.       
                ----Hei Math! Acorde já são 6h da manhã. – disse Duda.      
                ----Caramba, nós dormimos muito, perdemos bastante tempo. –JP falou assustado e indignado com o que havia acontecido.                                         
                ----Ponte que partiu. –eu falei me lembrando do que havia acontecido antes apagar.
                Então comecei a falar a eles sobre o homem misterioso que furtou nossa bússola, todos ficaram com bastante raiva de min, não os culpei por falarem de mim até porque eu estava consciente na hora do roubo, mas também não absorvi os comentários, pois eu tinha a consciência limpa de que eu estava imóvel na hora, mas naquele mesmo momento eu me lembrei de que ele colocara um bilhete em meu bolso direito da camisa. Então quando eu o peguei, percebi do que se tratava.
                ----Pessoal, ele deixou esse bilhete em meu bolso. –falei mostrando a eles. 
                ----Fala sobre uma rua chamada Pedro Boticário.—disse Duda apontando com o dedo.
                ----Tem um número, 506, e um nome também, Lindolfo? –rindo Bocs perguntou.      
                ----Vamos procurar ele imediatamente, não temos tempo, e precisamos de respostas.      –motivei a galera.
                Quando saímos do parque, pegamos o primeiro táxi que passou na rua, enquanto ele nos levava reparei que aquele talvez seja a cidade mais linda que eu já havia visto por não ter saído muito do Rio e Janeiro, então quando chegamos enfrente a uma casa muito velha, o motorista falou.  
                ----Bá, tche!...., vocês tem certeza de que é realmente este endereço?
                ----Acho que é realmente aqui. –falei meio com dúvida.       
                Mas então nós descemos e batemos na porta principal, até que ouvimos um voz do outro lado da porta.
                ----Quem é, e o que vocês querem?
                ----Estamos procurando um senhor chamado de Lindolfo, eu acho.  
                ----Está olhando para ele. –disse o senhor rindo e tirando um sarro de nossa cara. - Mas na verdade meu nome é Éolo somente.                     
                ----É claro! Ele é o deus dos ventos, estou honrada em conhecer um herói antigo como o senhor. –disse Duda aparentemente bastante feliz.
                ----Mas, creio que vocês vieram atrás de respostas, estou certo? Vamos entrem então, por favor. 
                Quando entramos, conseguimos ouvir minha música preferida; Don’t worry be happy       do lendário Bob Marley, o lugar era meio bagunçado, havia um violão jogado no chão, então sentamos ali em um sofá bastante confortável.
                 ----É o seguinte, mandaram vocês para essa missão, mas não pensaram se vocês eram realmente capazes. Vocês vão encontrar monstros, deuses e uma infinidade de outras coisas perigosas. Por isso quero prepará-los para o que vão encontrar. O jogo é bem simples: passem no meu teste e eu devolvo sua bússola. Não estou falando de um desafio corporal, os piores desafios que vocês vão encontrar serão os desafios intelectuais.            
                 ----Vamos começar logo com isso! -- Disse Bocs.
                 ----Ok, primeiro vamos com o desafio físico.
                      De repente, tudo começou a girar e perder a forma e a cor. A casa começou a desaparecer e a cor verde começou a inundar aquele furacão de imagens distorcidas. Tão rápido quanto começou, aquilo parou e nós estávamos novamente no Parque Moinhos dos Ventos. Éolo começou a dar as instruções:

                 ----Vocês precisam mover o moinho em sentido horário. Boa sorte, eu vou ficar aqui sentado olhando vocês tentarem.
                 ----Mas é só isso?--- Perguntou JP.
                 ----Apenas isso, mas não pensem que é tão fácil... Boa sorte.
                 Enquanto Éolo se sentava na grama, nós íamos até o moinho de vento. A primeira ideia que Duda teve foi empurrar as hélices com a mão. Peguei o meu escudo e segurei firme para que JP pudesse subir nele e tentar empurrar a hélice no sentido horário. Depois de várias tentativas nós concluímos que as hélices não iam se mover dessa forma. De longe nós conseguimos ouvir as gargalhadas de Éolo.
                 Então Bocs amarrou uma das pontas de uma corda e sua flecha e a outra ponta na extremidade da hélice do moinho. Depois ele atirou na direção horária, mas a hélice não se moveu. Vendo que aquilo não fez efeito, agarrei a corda e comecei a puxar, os outros três vieram me ajudar, mas nada aconteceu.     
                 Sentamos ali próximos ao moinho e começamos a pensar em como conseguiríamos realizar essa proeza.
                 ----Isso é impossível... ----Disse Duda desanimada.
                 ----Mas é o único jeito de pegar a bússola de volta. ---eu disse tentando anima-los.
                 Então JP começou a andar em direção ao moinho assoviando, quando chegou próximo a hélice, ela se moveu com a leve brisa de seu assobio. Então Éolo chegou aplaudindo JP, que estava muito assustado. O deus do vento disse: 
                 ----Para mover um moinho de vento é necessário haver vento! Tão simples...          
                 ----Mas como um moinho tão grande pôde se mover com apenas um assovio?  ----disse Duda.              
                       ----Eu estava sem paciência e resolvi ajudar. Mas agora vamos a uma pizzaria jantar, estou morto de fome.
                 ----Mas deuses não morrem... espera ai, deuses morrem de fome? ---- Perguntei rindo de sua cara.           
                 ---- Muito bem engraçadinho, vamos pular as pizzas, agora vocês tem de responder uma charada. -- Ele olhou para o céu e começou a falar com um tom sonhador...

“Com quinhentos começa,

No meio está o cinco;
O primeiro número, a primeira letra

Ocupam as demais posições.

Junte tudo e o nome do grande rei

Na sua frente surgirá”
   E então aquela sensação estranha começou de novo, as formas das coisas ao nosso redor começaram a dissolverem em cinza, até que nós aparecemos de volta àquela pequena casa.




 Capítulo-3 Parte-2

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Capítulo-2 Parte-2


Entramos no saguão da recepção. Estava muito movimentado. Pessoas ricamente vestidas desfilavam de um lado para outro com muita elegância. Homens de meia idade com poderosos relógios de ouro e prata andavam despreocupados acompanhados por lindas mulheres muito mais jovens que eles. O chão era decorado com grandes tapetes amarelos, que formavam as cores do Brasil junto com as paredes forradas com um papel verde bem claro. Nos cantos das paredes haviam plantas que cresciam graciosamente em seus vasos caríssimos. Fiquei tão encantado com o lugar que por um momento esqueci por que estava ali. Quando voltei ao meu corpo, JP e Bocs já estavam próximos de uma das recepcionistas e Duda ainda estava naquela espécie de transe.
---- Me ajude a descrever para essa moça quem nós estamos procurando – gritou Bocs para mim.
Cutuquei Duda e ela “acordou” assustada e rapidamente voltou em si. Fomos até onde os garotos estavam. A recepcionista me perguntou:
---- Por favor, me diga: quem vocês procuram?
---- Estamos procurando um homem. Ele se hospeda nesse hotel já faz algum tempo.
Ela parecia se divertir com aquela descrição. Fiquei um pouco vermelho, e então percebi que estávamos atrás de alguém que nós não sabíamos o nome e muito menos sabíamos como ele era. Seria impossível achá-lo. Então a mulher disse rindo:
---- Vocês estão atrás de Nero. Ele é o único que tem coragem de gastar o dinheiro com 5 anos de hospedagem no hotel mais caro do Rio.
---- Podemos falar com ele? – Perguntou Bocs.
---- Claro! Vou ligar para o quarto dele, um minuto, por favor – disse ela enquanto pegava o telefone. Após alguns segundos pudemos escutar ela falando. – Quatro semideuses estão aqui na recepção querendo falar com você... Sim... Ah, não... Também acho melhor... Ok, vou mandá-los subir. – Agora ela falava diretamente com nós – Podem subir. Ele está no último andar e no quarto de número 5260. Apenas bata na porta e esperem ele abri-la.
Nós agradecemos e partimos em direção a um dos elevadores. Ao chegarmos, havia um funcionário uniformizado que nos perguntou em qual andar nós ficar.
---- No último – nós quatro dissemos em coro.
Levou alguns minutos até chegarmos a nosso destino. Quando a porta do elevador se abriu, um corredor bem largo apareceu na nossa frente. Então saímos em busca do quarto 5260.
Andamos um pouco pelo corredor. Vimos os quartos 5201... 5202... etc. Quando chegamos no 5260, nos deparamos com um homem ruivo de mais ou menos trinta e poucos anos, que aparentava ter acabado de ter feito a barba. Ele tinha uma perna mecânica que fazia um som estridente ao tocar o chão. Logo nos convidou para entrar.
A suíte presidencial era tão magnífica quanto o nome do hotel. Colunas gregas sustentavam o teto. Quadros imensos retratavam antigas guerras gregas, outros retratavam corridas de bigas douradas, puxadas por pégasos. O mais intrigante era a enorme banheira de hidromassagem que havia no meio da sala. Eu poderia ficar o resto da minha vida falando tudo o que havia naquele quarto, mas como estávamos em missão, não havia muito tempo para admirar o lugar.
---- Como a recepcionista sabia que somos semideuses? – Perguntou Duda.
---- Ela é uma sereia, mas atualmente ela é minha assistente, que foi concedida pelos deuses – disse Nero com sua voz rouca.
---- Mas você não é um programa de computador? – disse eu tentando tirar o clima tenso do lugar.
Todos tentaram abafar as risadas, mas Nero continuou sério como pedra. Até que ninguém mais conseguiu conter a risada, todos caíram na gargalhada. Levou um bom tempo até todos cessarem as risadas. Nero apenas disse:
---- Eu poderia te jogar do prédio... mas não quero quebrar os blindéx. Tenho ordens para cumprir – disse ele decepcionado. – Então vou entregar a vocês uma bússola mágica que indicará sempre onde então as pedras Cardeiais espalhadas pelo mundo. Nesse exato momento a bússola esta apontando para o sul, é onde vocês vão começar a procurar. O ladrão trocou as Pedras Cardeias de lugar. Por exemplo, a Pedra Leste está no sul. E a do Sul, no oeste, assim a Pedra do Oeste está no leste. É por isso que a natureza está desequilibrada. Graças aos deuses que ele não encontrou a do Norte, se não o mundo estaria perdido por completo.
---- Mas como você sabe tudo isso? – disse Bocs.
---- Tenho alguns séculos de idade. Sei muitas coisas e muita experiência de vida.
---- Mas não temos dinheiro, essa missão será impossível. – disse JP.
---- Não se preocupe com isso, os deuses pensaram em tudo. Eles me entregaram alguns presentes para dar a vocês.
Dizendo isso, Nero foi até algum cômodo na lateral direita da sala, e voltou com quatro mochilas, aparentemente leves.
---- Seus mandaram uma para cada um. Essa é de JP.
JP pegou a mochila branca com uma figura de raio ao lado. Quando a abriu, havia um colete de guerra mágico, capaz de protegê-lo de qualquer projétil.
---- Essa é de Duda.
Duda pegou a mochila marrom, esta tinha o desenho de uma grande coruja de olhos cinza, quase parecia que iria saltar da mochila e nos atacar. Nessa mochila havia um relógio aparentemente normal.
---- Essa é de Bocs.
Bocs pegou a mochila preta com detalhes flamejantes na lateral. Nela havia uma besta e uma aljava de flechas compactas, próprias para a besta e uma carta.
---- Essa é a de Math.
Eu peguei a mochila que tinha cor azul bem profundo. Quando abri, descobri que havia um sobretudo branco com detalhes de ondas marinhas. Também havia uma pulseira.
Nós agradecemos Nero pelos presentes. E Bocs perguntou:
---- Isso é muito legal, mas não nos ajuda a viajar pelo mundo todo! Como vamos comprar passagens dos meios de transportes, como vamos pagar os hoteis etc?
---- Ahh sim, eu já ia me esquecendo. Tem outro presente para vocês. – disse Nero.
Havia quatro carteiras sobre uma mesa. Ele as pegou e nos entregou.
---- Dentro dessas carteiras tem todos os documentos que vocês precisam para ir a todos os lugares do mundo. Também há cartões de créditos com alguns milhões de saldo.
Abrimos as carteiras e descobrimos que Nero tinha razão. Agradecemos fervorosamente dessa vez. Nero rapidamente disse:
---- Agora vão! Vocês não podem mais perder tempo. Está na hora de salvar o mundo!

Capítulo-3 Parte-1

domingo, 5 de agosto de 2012

Capítulo-2 Parte-1


O encontro com Nero

Não foram nada fáceis os primeiros dias. Saímos do vilarejo com nossas novas armas e sob vários comentários incentivadores dos nossos outros colegas. Aquele lugar era especial para mim. Eu sempre fui rejeitado nas escolas que estudei, e foi ali onde eu pude encontrar pessoas como eu. Já estava sentindo falta de toda aquela agitação. Estávamos indo caminhando em direção a cidade do Rio de Janeiro. A vista era linda ali, havia um grande campo de girassóis no lado esquerdo, e no direito os primeiros bairros da cidade começavam a criar forma. Estava Duda e eu lado a lado, Bocs estava mais a frente conversando com JP. Na verdade eles estavam discutindo, mesmo nós estando tão longe deles pudemos escutar Bocs gritando:
---- Eu não pedi para você vir falar comigo!
- Ótimo, sabia que você não iria ser corajoso suficiente para encarar a realidade! – respondeu JP elevando a voz no mesmo nível que Bocs.
---- A realidade é que você me traiu! Achou que eu não descobriria que você teve um caso com... – percebi que Bocs não conseguia nem falar o nome daquela mulher.
---- Tive mesmo! Aquela vadia foi a pior coisa que aconteceu em sua vida!
Bocs estava com seu arco em punho e já levantava a mão para pegar uma flecha de sua aljava quando o chão começou a tremer. Instintivamente todos olharam para mim, porque eu era o líder.
---- Peguem suas armas! – eu disse. – Duda você tem alguma idéia sobre o que está acontecendo?
As frágeis casas ao nosso lado começaram a desmoronar quando Duda se recuperou do susto e gritou:
---- Vamos para os girassóis!
Sem pensar duas vezes nós corremos nessa direção. Como eu era mais rápido, cheguei primeiro ao campo, seguido de Duda e Bocs. JP era o mais lento da turma e quando alcançou as primeiras flores o tremor de Terra parou instantaneamente. Eu e Duda corremos em direção aos dois garotos. Quando estávamos todos reunidos, Bocs – desconfiado como sempre – perguntou a Duda:
---- Como você sabia para onde ir?
---- Somos quatro semideuses andando a céu aberto. Devemos exalar tanto cheiro para os monstros quanto um ovo podre. O cheiro dos girassóis deve disfarçar esse cheiro por algum tempo, mas temos que sair daqui.
Bocs, o mais alto de nós, olhou por cima das flores amarelas e viu muitas pessoas correndo e gritando para todos os lados quando abaixou, disse:
---- Temos que arranjar outro jeito de chegar à cidade.
---- Poderíamos amarrar vários girassóis em volta de nossos corpos – eu falei.
---- Ou poderíamos roubar algum carro – sugeriu JP.
---- Ou poderíamos ir ali dentro! – disse Duda apontando para um caminhão baú que passava pela rodovia, enquanto seus olhos se iluminavam.
Bocs pensou um pouco e fez um gesto de concordância com a cabeça. Seguido de JP. Eu não tinha escolha, nós não tínhamos escolha. Teríamos de chagar ao Il Magnífico o mais rápido possível, e o único jeito era com aquele caminhão. Concordei também. Mesmo não sendo o líder, Bocs logo deu as instruções:
---- Vou estourar um pneu do caminhão, quando o motorista parar, nós entramos no baú e esperamos o motorista trocar o pneu furado para seguir viajem. Ok?
Todos fizeram sinal de aprovação, e quase imediatamente Bocs já atirou uma de suas flechas normais de madeira no pneu dianteiro do caminhão. Corremos o mais rápido possível para a traseira do veículo, sem que o motorista nos visse. Quando Duda abriu o cadeado do baú com sua faca nós entramos.
O cheiro era ótimo. Nós tivemos MUITA sorte. Aquele era um carregamento de perfumes que ia direto para a cidade. Por um momento surgiu uma dúvida:
---- Bocs, por que você não usou umas das flechas especiais de Aristeu?
---- Uma daquelas poderia explodir o caminhão inteiro – disse ele com um sorriso maléfico no rosto. Acho que era a primeira vez que o vi sorrir.
Ficamos conversando ali dentro durante todo o percurso. Descobri que Bocs era do Paraná, Duda era de Goiás e JP de São Paulo. Também descobri que nem todos ali haviam tido uma vida tão boa quanto a minha. A viajem demorou muito. Os buracos na rodovia típicos do Brasil faziam as caixas de perfume balançarem. Duda até afanou um deles que ela disse que era caríssimo nas lojas. Bocs já estava incrivelmente insuportável, pois já estava há muitas horas sem sol. JP perdeu a noção do tempo porque não podia ver o céu. De repente o caminhão parou. Duda rapidamente abriu a porta e nós saímos sorrateiramente.
Já era noite, para o espanto de todos. Olhamos ao redor. Prédios e mais prédios nos rodeavam. Era uma parte da cidade que eu ainda não conhecia, mas JP sabia bem onde estávamos.
---- Estamos em Copacabana.
---- Como você sabe? – disse Duda.
---- Está escrito ali – disse ele apontando para uma placa de sinalização. – Pensei que você fosse mais inteligente por ser filha de Atena – disse ele com um tom brincalhão, deixando Duda muito vermelha.
---- Vamos, temos que achar esse tal Il Magnífico – disse Bocs enquanto corria em direção a um guarda que vigiava um estacionamento ali perto.
---- O que quatro adolescentes fazem na rua a essa hora da noite? – disse ele meio constrangido.
---- Não somos daqui, nós nos perdemos de nossos pais, mas eles estão em um hotel chamado Il Magnífico – disse Duda chorando, quase convenceu a mim também.
O guarda ficou espantado. Esse tal hotel deveria ser bem conhecido, mas decorar nomes de hotéis importantes da cidade nunca me pareceu tão importante. Ele nos estudou um pouco. Era muito estranho quatro adolescentes tão diferentes estarem com mochilas enormes (que nós “pegamos emprestados” de uma loja para esconder nossas armas) e no meio da noite. Mas o nosso amigo ali sabia que apenas os mais ricos do mundo se hospedavam no Il Magnífico.
---- Vocês devem seguir por essa rua por três quadras adiante, e virar à esquerda. Vocês vão encontrar um hotel enorme, que é o qual vocês estão procurando – disse ele apontando naquela direção, quando se virou nós já aviamos sumidos na escuridão da noite.
Fomos para o hotel por uma rua paralela. Nem precisamos aproximar para ter certeza e que era aquele. Era um prédio enorme, de no mínimo 50 andares. Toda a estrutura era iluminada por grandes refletores. Sua fachada era cheia de detalhes. Coqueiros faziam uma espécie de recepção junto com os táxis de luxo na entrada, um pouco mais ao fundo havia uma fonte de água. Lá no alto havia um grande letreiro onde estava escrito: Il Magnífico. Certamente havíamos chegado ao nosso primeiro destino.

Capítulo-2 Parte-2