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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Capítulo-3 Parte-2



----Lar, doce lar... – Éolo olhava para as paredes imundas da casa como se aquele fosse seu maior orgulho - eu pedirei umas pizzas, se quiserem. – Disse ele enquanto se sentava no sofá – vou ficar aqui até vocês decifrarem o código e me falarem o nome do rei.
Duda nos chamou para um cômodo ao lado da sala. Aquela parecia ser a pior cozinha do mundo. Sobre o fogão haviam enormes pedaços de pizza mofada, os armários pareciam muito com grandes pedaços de madeira podre e fedorenta, quanto ao piso... era difícil acreditar que um dia foi branco. Mas ao meio do cômodo havia uma mesa luxuosa de vidro cercada por quatro cadeiras impecáveis, estofadas com almofadas brancas e feitas de madeira.
----Vamos sentar – disse JP para quebrar o silêncio.
Assim nós fizemos. Quando todos sentamos Duda pegou um pedaço de papel e uma caneta de sua mochila e escreveu todo o poema. Ao terminar ela disse:
----Vocês tem alguma ideia?
O papel veio primeiro a mim. Peguei aquele poema, li atentamente cada linha umas 5 vezes. Mas quanto mais eu lia, menos sentido fazia. Passei o papel para JP, após algum tempo ele também desistiu. Com Bocs não foi diferente. Quando o papel voltou para Duda ela disse:
----Estou morrendo de fome, vocês não querem pizza? Ajuda a pensar...
Antes que ela pudesse terminar de falar, nós já estávamos saindo do cômodo para pedir as pizzas à Éolo.
----Vocês querem comer?
----Aham – disse Bocs.
----Vou pedir umas pizzas, se quiserem assistir televisão enquanto esperam... – de repente uma televisão de mais ou menos 72 polegadas apareceu no chão, junto com uma antena da Sky já instalada. JP ligou a TV, pegou um controle que apareceu atrás da TV, e foi passando os canais até achar algum interessante. Até que ele parou na Discovery Chanel, estava passando um documentário sobre as sete maravilhas do mundo antigo.
----Era iluminado pelo fogo de lenha ou carvão. Inaugurado em 270 a. C., o farol foi destruído por um terremoto no século XIV... – dizia a televisão quando Duda gritou:
----É isso!
----Isso oque? – disse Bocs com tom indediado.
----Descobri como decifrar o código!
----E como é? – Ele disse, dessa vez já não estava mais entediado.
----Bom, primeiro pensei em transformar os números em letras, tipo: em algarismos romanos 500 é "D". No meio está o cinco, que em algarismo romano é "V". O primeiro número é 1 que em algarismos romanos é "I", e a primeira letra é "A". Então eu tenho "D" "V" "I" "A". Reorganizando: DAVI. É isso mesmo? Rei Davi?
Todos estávamos com os queixos caídos, eu não entendi uma palavra que ela disse, mas Éolo veio até nós aplaudindo. Eu sabia que Duda era inteligente, mas aquilo era realmente impressionante.
----Agora vamos jantar, tenho muitas coisas legais para falar.
Todos seguimos em direção à cozinha em fila, liderados por Éolo. Eu podia sentir o poder daquele deus em minha pele. Quando ele estava longe, o lugar fedia, eu escutava os caminhões barulhentos do lado de fora, até mesmo as formigas e cupins que saiam das paredes me incomodavam. Mas quando Éolo se aproximava, os barulhos não eram apenas barulhos. Pareciam com música, tudo sincronizado, o cheiro de podridão das paredes e do chão era substituído por uma leve brisa. Como se estivéssemos em um apartamento bem alto e com a janela aberta. Até minha mente trabalhava e se concentrava melhor. Era esse o motivo de os deuses serem tão venerados? Eles faziam o mundo entrar em harmonia? Olhei para meus amigos, eles pareciam se fazer as mesmas perguntas.
Quando chegamos à cozinha, já não havia mais paredes sujas ou pedaços de pizzas podres. Tudo estava extremamente organizado, panelas de alumínio organizadas por ordem de tamanho no armário, o chão brilhava tanto que eu não podia nem olhar direito para ele, mas pude ver tapetes que pareciam ser caríssimos por todo o cômodo. Em cima da mesa havia um grande mapa da região sul do Brasil, e de outros países que o cerca.
----Uau! – Disse Bocs.
Éolo olhava para nós rindo, na verdade ele estava gargalhando. De repente tudo começou a desmanchar - eu já conhecia bem aquela sensação – as cores foram saindo de seus lugares e um redemoinho de figuras nos cercou. Levou uns dez segundos até tudo voltar em seu lugar.
Capitulo-4-Parte-1

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